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Sateré-Maué

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Cerimônias

Sateré-Maué

Cidade: Maués/AM

São chamados regionalmente "Mawés''. Autodenominam-se Sateré-Mawé. O primeiro nome, Sateré, quer dizer "lagarta de fogo", referência ao clã mais importante dentre os que compõem esta sociedade, aquele que indica tradicionalmente a linha sucessória dos chefes políticos. O segundo nome, Mawé, quer dizer "papagaio inteligente e curioso" e não é designação clânica.

A língua Sateré-Mawé integra o tronco linguístico Tupi. Desde o século XVIII, seu repertório incorporou numerosas palavras da língua geral.

Os Sateré-Mawé referem-se ao seu lugar de origem como sendo o Noçoquém, lugar da morada de seus heróis míticos. Eles localizam-no na margem esquerda do Tapajós, numa região de floresta densa e pedregosa, "lá onde as pedras falam".

Eles são tradicionalmente índios da floresta, do centro, como eles próprios falam. Até o começo do século XX escolhiam lugares preferencialmente nas regiões centrais da mata, próximas às nascentes dos rio, para implantarem suas aldeias e sítios.

Esse é o ecossistema por excelência dos Sateré-Mawé e é possível observar, ainda hoje, que as aldeias que guardam formas de vida tradicionais "como no tempo dos velhos" (plano espacial, arquitetura, roças e rituais), situam-se nessas regiões.



Os filhos do Guaraná



Inventores da cultura do Guaraná, os Sateré-Mawé transformaram a Paullinia Cupana, uma trepadeira silvestre da família das Sapindáceas, em arbusto cultivado, introduzindo seu plantio e beneficiamento. O guaraná é uma planta nativa da região das terras altas da bacia hidrográfica do rio Maués-Açu, que coincide precisamente com o território tradicional Sateré-Mawé.
O guaraná é o produto por excelência da economia sateré-mawé, sendo, dos seus produtos comerciais, o que obtém maior preço no mercado.



Preparo e consumo do Guaraná



O çapó, guaraná em bastão ralado na água, é a bebida cotidiana, ritual e religiosa, consumida por adultos e crianças em grandes quantidades. O preparo e consumo do çapó seguem uma série de práticas que somadas resultam em uma sessão ritual.

A natureza do ritual de consumo do guaraná é, porém, diferente de um ritual formal, como são a da Festa da Tocandira ou a da leitura do Porantim.

O çapó é a bebida que os Sateré-Mawé utilizam durante seus resguardos. As mulheres durante a menstruação, gravidez, pós-parto e luto e os homens na Festa da Tocandira, no luto e quando acompanham suas mulheres durante o resguardo do pós-parto.



Cerimônia

Tocandira



O ritual da Tocandira coincide com a época do fábrico, termo regional utilizado pelos Sateré-Mawé para indicar as várias etapas do beneficiamento do guaraná e dura aproximadamente 20 dias. Os índios referem-se a este ritual como ''meter a mão na luva'', também conhecido pelos regionais como ''Festa da Tocandira''. Trata-se de um rito de passagem, quando os meninos tornam-se homens, de extraordinária importância para os Sateré-Mawé, com cantos de exaltação lírica para o trabalho e o amor, e cantos épicos ligados às guerras. As luvas utilizadas durante este ritual são tecidas em palha pintada com jenipapo e adornadas com penas de arara e gavião.

Nelas, o iniciado enfia a mão para ser ferroado por dezenas de formigas tocandiras (Paraponera clavata).



Fonte: Site Povos Indígenas no Brasil | Instituto Socioambiental

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